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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Quem sempre pagou?


Elogio da Dialética

A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
Só a força os garante.
Tudo ficará como está.
Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
No mercado da exploração se diz em voz alta:
Agora acaba de começar:
E entre os oprimidos muitos dizem:
Não se realizará jamais o que queremos!
O que ainda vive não diga: jamais!
O seguro não é seguro. Como está não ficará.
Quando os dominadores falarem
falarão também os dominados.
Quem se atreve a dizer: jamais?
De quem depende a continuação desse domínio?
De quem depende a sua destruição?
Igualmente de nós.
Os caídos que se levantem!
Os que estão perdidos que lutem!
Quem reconhece a situação como pode calar-se?
Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
E o "hoje" nascerá do "jamais".

Eugen Berthold Friedrich Brecht (10-2-1898/14-8-1956)

Desde quando a injustiça deixou às ruas? Os campos? Às favelas? Os guetos? Os porões das fabricas? Embora este belo poema tenha sido escrito (acredito, nos dias em que antecederam a segunda guerra mundial), ele nunca deixou de ser atual, isto é ontem, hoje e amanhã. O que nos tranqüiliza é que os poderosos que se valem desses meios nunca tiveram toda essa segurança descrita elo nosso poeta.
Com a revolução tecnológica a situação dos trabalhadores piorou drasticamente, as vagas nos empregos diminuíram, conseqüentemente o acesso ao básico como saúde, educação, habitação, lazer etc. A década de 90 (1990), foi considerada uma década de derrota ao movimento comunista: No dia 29 de agosto de 1991, o Partido Comunista Soviético foi colocado na ilegalidade, Letônia, Estônia e Lituânia que viviam sob o regime comunista, foram os primeiros países a declararem sua independência sem esquecer que o maior símbolo da guerra fria representado pelo muro de Berlin deixou de existir em oito de novembro de 1989. Evidentemente o bloco capitalista encabeçado pelos americanos comemorou anos seguidos; os anticomunistas deram aos americanos toda a gloria desta bancarrota; comunistas históricos (se é que pode tratá-los assim) pularam do barco ou entraram no barco do neoliberalismo e a classe operária desembarcou das suas conquistas que teve como origem a Revolução de outubro de 1917, ou melhor, dos 72 dias no poder na Comuna de Paris em 1871, aos 74 anos no poder Soviético, muitos líderes foram fuzilados, enforcados torturados para que a classe operária pudesse usufruir o que se entende como democracia; o que consola os verdadeiros comunistas é que dos 72 dias no século XIX aos 74 anos no século XX, esses Estados em movimento deixaram quadros, deixaram raios que relampejaram pelo mundo todo e por mais violenta que seja a injustiça, ela não será eterna e não apagará esses relampejos.

Em 1995 numa reunião de 500 representantes da elite mundial para debater os efeitos da nova revolução tecnológica, esses senhores chegaram à seguinte conclusão: bastava 20% da força de trabalho para fazer girar a roda da economia e os 80% dos restantes deveriam se contentar com pão e circo e acrescento, a droga. Segundo os autores, a ditadura de mercados reassume o controle do capital especulativo e ambos substituem os Estados, ou os torna o menor possível. Isto é, à medida que o Estado vai diminuindo a sua saúde, educação, segurança etc. vão sendo transferindo à iniciativa privada, ou seja, cai nos braços do mercado. Quem quiser conhecer melhor sobre esse assunto leia o livro dos autores Hans-Peter Martin & Harald Schumann com o título: A armadilha da Globalização que tem como subtítulo: O assalto à democracia e ao bem estar social da Editora Globo. Então, não foi a CIA, o Mossad, que através dos agentes secretos destruíram o Estado Soviético e sim a super produção que daí adviria, quem conhece de maneira razoável o sistema de robótica pode dizer não só um grande número de trabalhadores foram substituídos por um número cada vez menor de robôs como também crescimento da produção desproporcional ao consumo.
Com o crescimento da produção, não só industrial, sobretudo do agronegócio, essas mercadorias com os preços baixos, tornariam quaisquer estados que alimentasse o pleno emprego baseado na produção obsoleto, e desafiassem o chavão 20% por 80%, fora da competitividade comercial.

O sistema obsoleto de produção, conseqüentemente caro levaria qualquer governo importar produtos similares, mais baratos fabricados através da robótica e pouco a pouco, os operários daqueles respectivos países cairiam na ociosidade, como na linguagem popular cabeça vazia é oficina do diabo. E ninguém aceita viver encurralado daí a mesma internet que com a sua revolução ceifou milhões de empregos aproximou os povos à proporção da sua discriminação e exclusão.
Certa feita, perguntaram a Stálin, líder Soviético, sobre a revolução, ele fez a seguinte comparação: A revolução se assemelha a uma criança, enquanto os seus órgãos internos não se desenvolvem, ela não anda. Evidentemente há crianças, que nascem, desenvolvem e envelhecem e as idéias, a dinâmica, a criatividade perde aquele brilho e se atrofia, isto é, tanto pela esquerda como pela direita.

Se prestarmos atenção aos países do bloco soviético que se desintegraram na década de 90, e dos países do bloco ocidental que estão desintegrando, verão que o número de anos que esses senhores ficaram no poder no lado de lá não são muito diferente do número de anos estão ou estavam no lado de cá.
Stalin, 29 anos no poder na União Soviética; Zine el Abdin Ben Ali, 23 anos na Tunísia; Na Líbia, Muammar Kadhafi, 42 anos; No Egito, Mubarak, 42. Sem contar os distúrbios em Portugal, Espanha, França e o mais recente, na Inglaterra; esta com a flagrante presença de crianças e adolescentes. (Quem diria! A Inglaterra que sempre disseminou a discórdia em suas colônias, hoje se vê com o mesmo problema dentro de sua própria casa).

Esses países citados, uns mais à esquerda e outros à direita, com certeza os seus dirigentes tinham algo em comum quando se dirigiam à juventude: sabemos das suas reivindicações, mas vocês não estão maduros para usufruírem. Ou seja, o mundo foi sempre assim, não há nada de novo sob o sol! Até que o relâmpago estalou!

Daí vem à pergunta? E os jovens? E os milhões de adolescentes que saem das faculdades, jovens com todo gás, e quais são suas perspectivas? E outros milhões que formam o exército de desempregados devido à revolução supracitada. Hoje no Brasil qualquer empresa que der emprego a um menor de dezoito anos é multada pela delegacia do trabalho, pelo outro lado enquanto o ex-presidente FHC investiu quase um bilhão de reais na qualificação e requalificação profissional, era chamado de inimigo dos trabalhadores, enquanto o senhor Luís Inácio Lula da Silva não investiu nem cem milhões é tido como o maior líder dos pobres.
O Brasil hoje tem por volta 200 mil engenheiros, quando o mínimo necessário para que país seja considerado desenvolvido, são 600 mil, como se não bastasse companheiro Poly*, o Brasil Passou importar 20% mão de obra especializada, (onde a grande maioria é norte-americana). E vai por aí a fora, o Brasil é o quarto maior credor dos Estados Unidos, investiu em título público* daquele país a bagatela de US$ 207 bilhões de dólares.

* Poly, Presidente do PPS do Estado da Bahia, solicitou-me, como ex-sindicalista, que escrevesse algum texto neste sentido.
A pergunta que não se calar: até quando os trabalhadores brasileiros votarão em políticos que estão para servir os interesses que não são os seus. Não seria um gesto de traição! Companheiro reflita! Nas próximas eleições vamos votar em candidatos que estão interessados em defender os interesses nacionais. O Brasil está carente de patriotas, questione-os!

*Título público é uma forma de captação de recursos feitos pelo governo federal para financiar educação, saúde e infra-estrutura.
Moral da história (ou imoral), a senhora Dilma do Partido dos trabalhadores, tem dinheiro para investir na saúde, educação e infra-estrutura dos Norte Americanos e não tem para reajustar os aposentados, e nem para investir na qualificação e requalificação dos trabalhadores brasileiros. E ainda de maneira ingênua pensava que não se reajustaria os salários dos aposentados que ganham acima do salário mínimo, como também já estão ameaçando que nem nos salários da ativa porque tinha que sobrar para corrupção.

Não se esqueçam senhores e senhoras, pseudo-líderes políticos, sindicalistas, do campo ou cidade: a convulsão social costuma dar cabo dos seus traidores e esse momento não há de demorar!

Um abraço!

Antonio Profeta
Secretário Geral do PPS - Bahia

(Por solicitação)


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