O país, sede da próxima Copa do Mundo de Futebol, perde em cerca de pouco mais de um mês, três importantes competições internacionais desse esporte, a saber: a Copa Mundial Feminina, a Copa Mundial Sub 17 e a Copa América sendo que esta última foi um vexame total para os menos avisados e deixou os patrícios com quilos de pulgas atrás das orelhas.
Nos meus muitos anos futebolisticamente vividos, nunca vi, ou pelo menos não me lembro de ter visto, uma equipe de futebol perder quatro pênaltis numa série de cinco, haja vista que o quinto não foi batido, pois, se tal ocorresse, certamente teria o mesmo destino dos anteriores. Inacreditável! Inimaginável! O que é pior é o descaramento de alguns jogadores culpando o gramado pelos erros. Será que a CBF, os atletas que ganham milhões e quem mais estejam nas imediações pensam que somos bestas? Pensando assim, eles estão cobertos de razão. Embora nem todos sejamos babacas, a maioria pode ser enquadrada nessa categoria.
Porque o voleibol tem uma equipe competitiva e vencedora, tanto no masculino, quanto no feminino, e no futebol, o esporte de maior prestígio e recursos no Brasil e no mundo, gritado, sofrido e chorado no país de norte a sul e de leste a oeste não consegue ganhar para uma Venezuela representada por uma seleção praticamente amadora se comparada com a seleção brasileira, onde atletas ganham salários irrisórios em relação aos dos nossos jogadores, que são maiores do que o de grandes executivos? No basquete americano onde ocorrem salários parecidos aos dos nossos “pobres” atletas, o “Dream Time” entrava na quadra e ganhava. Não tinha conversa de quadra ruim, dia pouco alvissareiro ou cansaço. Colocavam-se todos os atletas do banco na quadra e o rendimento não caia. Entravam e ganhavam; ganhavam e ganhavam. Nenhum resultado era aceito, salvo a vitória. Outro exemplo de emprenho e vergonha nos deu as pequeninas atletas da seleção japonesa que bateram nos pênaltis a bicampeã seleção dos Estados Unidos, valendo ressaltar que as nipônicas são completamente amadoras. É uma seleção de trabalhadoras, não recebem nada como atletas e treinam depois da jornada diária de trabalho. Contudo, essas dedicadas jogadoras possuem, diferentemente dos milionários atletas brasileiros, vergonha, humildade, amor à camisa e, sobretudo consciência cívica, pois, quando perguntadas o motivo de tanta dedicação a capitã disse: “não jogamos apenas para vencer uma competição, mas para levantar a autoestima de nosso povo abalado com as catástrofes ocorridas há pouco tempo.”
Isso é que os aletas brasileiros de futebol precisam aprender e deixar das palhaçadas de cabelos ao estilo “moicano” ou coloridos e cheios de trancinhas. Os patos, os gansos, as calopsitas (ou cacatuas como queiram) e outras aves que, porventura, venham a pousar na Seleção Brasileira de Futebol devem jogar bola e para isso ganham muito e têm o carinho do povo brasileiro que deveriam, em contrapartida, reconhecer e procurar dar alguma alegria ao mesmo para amenizar os desmandos, as falcatruas, os casos de corrupção que ocorrem todos os dias em nosso país, inclusive no próprio esporte que praticam. Mas, voltando ao objetivo principal desse artigo, gostaria de chamar a atenção dos brasileiros, principalmente dos baianos, para um fato relativo aos insucessos das nossas seleções de futebol: em vista dos resultados obtidos pelas mesmas nos últimos dias, estamos caminhando a passos largos para uma tragédia maior do que a de 1950, quando perdemos a Copa na partida final contra o Uruguai. Pelo andar da carruagem, como diziam os antigos, nesta, não passaremos das oitavas de final.
Virgilio de Senna
Salvador, Bahia25.07.2011.


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